"Quem sabe através dos lápis e das cores poderemos construir a ponte que nos levará até os nossos alunos"
Subjetivo e complexo
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Identidade Docente
Pensar sobre identidade pra mim é como pensar sobre o próprio currículo, muitas questões envolvem este fazer, escolha pessoal, sociedade, família. Muitos fatores são envolvidos na escolha de uma profissão e outros se relacionarão com a permanência do indivíduo nesta condição. Segundo Penin(2009) a profissionalização e a construção da profissionalidade incluem os diferentes
aspectos que envolvem uma profissão, assim como os diversos tipos de ação que o profissional realiza.
Neste caso acredito que a sociedade tem um olhar romântico sobre a profissão docente, que acaba refletindo na busca de "super-professores" com o "dom da docência" quando atribui a ela uma espécie de habilidade muito além da normalidade buscando um perfil quase mitológico. Em contraponto a fala da autora diz que são construídas personalidades profissionais também pelas inúmeras influencias externas ao próprio indivíduo.
Acredito que muitos optam pela docência "ainda" por ter como interesse principal em suas vidas fazer um papel articulador nos rumos que a sociedade vai tomar. Enfim, fazendo parte desta articulação social a profissão docente tem a posição assemelhada a da política que interferem nas questões sociais. Mas muito mais pensando em mudanças reais que partam de dentro dos sujeitos e que eles sejam os construtores de suas próprias ideias e políticas de vida.
Sempre penso nos professores como seres humanos dotados de muita arrogância, pelo seu desejo de alavancar um crescimento em muitas pessoas ao mesmo tempo e por muito tempo.
TICs
Bem, começo a pensar como as TICs fizeram parte do meu processo de vida e nas questões educacionais, e percebo que apesar de em 1994 eu já ter mantido contatos imediatos com computadores não me recordo de muitos avanços nesta área. Neste período adolescente eu tinha um amigo da minha família que cursava Ciência da Computação e me recordo muito claramente das investidas dele em tornar as pessoas da sua volta em adeptos do uso do computador. Certamente neste momento esta ferramenta era utilizada na sua maioria para edições de textos (word) e construção de imagens (desenhos-paint).
Logo minhas habilidades nas tecnologias nunca foram muito boas. Sempre gostei de desenhar e fazer letras "enfeitadas" e a habilidade do computador em fazê-lo tão perfeitamente confesso que me perturbava um pouco, pensava sobre a mecanização das coisas, a "desumanização".
Em 1997 ingressei pela primeira vez na universidade, aqui mesmo na UFRGS e fiz um email, com o provedor da própria universidade. Já ouvia sobre as conversas via chat mas nunca pensei sobre isto, até que um dia estava logada em um computador na FACED e de repente surge no canto da tela uma pequena janela que estava escrito: - oi Clarisse, sou eu, o André teu colega de fundamentos do desenho. Nunca esquecerei a terrível sensação de não saber o que fazer. Fechei tudo e saí dali. Seria cômico se não fosse trágico, hoje só em pensar estou rindo sozinha.
Com o passar do tempo comecei muito timidamente utilizar o email e digitar textos no word, ainda neste período os professores aceitavam trabalhos manuscritos e em disquetes (reclamavam dos vírus presentes nos mesmos). Em 2000 mais ou menos tive meu computador em casa e as necessidades começaram a fazer com que usasse um pouco mais e assim por diante até hoje, sempre o básico: redes sociais(nem todas), pacotes office, e não muito mais que isto.
Em relação a escola e a sociedade, penso que muitas coisas mudaram, as tecnologias avançaram imensamente, há maior acessibilidade em relação a aquisição de computadores, notebooks, smart fones, ipod e internet, etc, mas ainda as pessoas não utilizam muito estes recursos, acredito nas possibilidades que estas ferramentas trazem. Nas escolas então a aridez tecnológica é maior ainda. Citando como exemplo o local onde realizo meu estágio, lá existe sim um laboratório de informática quase sem uso, acredito que se todos resolvessem utilizar dos recursos do laboratório não haveria espaço nem para metade dos alunos, mas por sua vez, pouco é utilizado. Penso que a escola pública está longe de atender a estas demandas. quando entro na sala de aula a sensação é que estou entrando na sala a qual pertenci a 20 anos atrás. então penso que as tecnologias estão muito longe de atingir uma parcela grande da população com uma função de interação e construção de conhecimento a qual ela seria tão útil. Porque percebo os alunos com seus telefones celulares muito presentes, mas sendo levados para fora do ambiente escolar já que quem coordena seus acessos e interesses são eles mesmos ou as mídias que foram agregadas a estas tecnologias.
Logo minhas habilidades nas tecnologias nunca foram muito boas. Sempre gostei de desenhar e fazer letras "enfeitadas" e a habilidade do computador em fazê-lo tão perfeitamente confesso que me perturbava um pouco, pensava sobre a mecanização das coisas, a "desumanização".
Em 1997 ingressei pela primeira vez na universidade, aqui mesmo na UFRGS e fiz um email, com o provedor da própria universidade. Já ouvia sobre as conversas via chat mas nunca pensei sobre isto, até que um dia estava logada em um computador na FACED e de repente surge no canto da tela uma pequena janela que estava escrito: - oi Clarisse, sou eu, o André teu colega de fundamentos do desenho. Nunca esquecerei a terrível sensação de não saber o que fazer. Fechei tudo e saí dali. Seria cômico se não fosse trágico, hoje só em pensar estou rindo sozinha.
Com o passar do tempo comecei muito timidamente utilizar o email e digitar textos no word, ainda neste período os professores aceitavam trabalhos manuscritos e em disquetes (reclamavam dos vírus presentes nos mesmos). Em 2000 mais ou menos tive meu computador em casa e as necessidades começaram a fazer com que usasse um pouco mais e assim por diante até hoje, sempre o básico: redes sociais(nem todas), pacotes office, e não muito mais que isto.
Em relação a escola e a sociedade, penso que muitas coisas mudaram, as tecnologias avançaram imensamente, há maior acessibilidade em relação a aquisição de computadores, notebooks, smart fones, ipod e internet, etc, mas ainda as pessoas não utilizam muito estes recursos, acredito nas possibilidades que estas ferramentas trazem. Nas escolas então a aridez tecnológica é maior ainda. Citando como exemplo o local onde realizo meu estágio, lá existe sim um laboratório de informática quase sem uso, acredito que se todos resolvessem utilizar dos recursos do laboratório não haveria espaço nem para metade dos alunos, mas por sua vez, pouco é utilizado. Penso que a escola pública está longe de atender a estas demandas. quando entro na sala de aula a sensação é que estou entrando na sala a qual pertenci a 20 anos atrás. então penso que as tecnologias estão muito longe de atingir uma parcela grande da população com uma função de interação e construção de conhecimento a qual ela seria tão útil. Porque percebo os alunos com seus telefones celulares muito presentes, mas sendo levados para fora do ambiente escolar já que quem coordena seus acessos e interesses são eles mesmos ou as mídias que foram agregadas a estas tecnologias.
domingo, 28 de outubro de 2012
Interdisciplinaridade?
Na ultima quinta-feira demos início a junção dos grupos que farão trabalhos relativos aos Projetos de Ensino.
Imagem 01
A característica principal destes grupos será a heterogeneidade em relação as áreas de conhecimento que os compõem.
Tendo em vista esta característica vai aqui meu relato sobre a primeira reunião do grupo ao qual faço parte, somos duas colegas das Artes Visuais, uma da Biologia e três da Letras. Aparentemente, pra mim, facilmente integrado este grupo, mas logo percebi que os olhares em relação ao que era proposto estava sendo diferente e eu como gosto de boas discussões fiz questão de naquele momento tentar expor minha opinião de como as Artes Visuais deve fazer parte deste projeto.
Curiosamente ou não, não conseguimos estabelecer um diálogo muito claro, nossas opiniões divergiam de como cada área deveria ser representada no trabalho.
Então, influenciada ainda pelos textos que foram oferecidos para a aula comecei a pensar sobre a dificuldade de me fazer entender e de como na posição de professor isto deve acontecer comumente e imperceptivelmente por um olhar de certezas. Pensar que tudo que queremos mostrar está perfeitamente claro e acessível a todos é certamente o maior de todos os enganos. Se pra nós, estudantes de licenciatura, "futuros professores" torna-se difícil estabelecer um diálogo que favoreça o andamento do trabalho e agilize nossos próprios objetivos, o que nos faz pensar que os alunos alheios aos nossos "saberes" conseguirão fruir o necessário para estabelecer relações entre seus universos pessoais e o que lhes é proposto em sala de aula?
Na prática, por agora, vamos tentar pensar as aulas cada um em sua área, para no próximo encontro fazermos a junção e conexões adequadas.
Bem, daremos sequencia e confesso estar curiosa pelos próximos encontros.
20/12/2012
A partir daqui sigo o relato sobre as interlocuções entre eu e as meninas do meu grupo:
Depois de várias conversar e muitas duvidas e discordâncias, muitas sugestões de como deveríamos proceder em nosso trabalho, finalmente encontramos um ponto onde os interesses culminaram.
Nesta sequencia o trabalho fluiu com mais naturalidade e nós conseguimos apropriar o maior número de informações e articulações para compor a tarefa.
Para atender as três áreas de conhecimento envolvidas na apresentação da aula, resolvemos trabalhar com um fragmento de um texto de Monteiro Lobato, relacionado ao meio ambiente. Na biologia por sua vez a função aparecerá com a reprodução das árvores comumente encontradas em Porto Alegre e suas especificidades e finalmente nas Artes Visuais, abordaremos nosso tema a partir da Obra do pintor Pedro Weingartner que por volta de 1900, faz em sua obra uma alusão a colonização européia e subliminarmente "conforme a nossa leitura de imagem" se refere ao desmatamento e a destruição das áreas representadas.
O produto da aula que envolverá as três áreas, será a construção de um mural pelos alunos que venha composto de : 1)imagens fotográficas da flora existente entre a escola e suas casas; 2) coleta de materiais fragmentos desta flora 3) produção textual em forma de poemas sobre o tema abordado.
20/12/2012
A partir daqui sigo o relato sobre as interlocuções entre eu e as meninas do meu grupo:
Depois de várias conversar e muitas duvidas e discordâncias, muitas sugestões de como deveríamos proceder em nosso trabalho, finalmente encontramos um ponto onde os interesses culminaram.
Nesta sequencia o trabalho fluiu com mais naturalidade e nós conseguimos apropriar o maior número de informações e articulações para compor a tarefa.
Para atender as três áreas de conhecimento envolvidas na apresentação da aula, resolvemos trabalhar com um fragmento de um texto de Monteiro Lobato, relacionado ao meio ambiente. Na biologia por sua vez a função aparecerá com a reprodução das árvores comumente encontradas em Porto Alegre e suas especificidades e finalmente nas Artes Visuais, abordaremos nosso tema a partir da Obra do pintor Pedro Weingartner que por volta de 1900, faz em sua obra uma alusão a colonização européia e subliminarmente "conforme a nossa leitura de imagem" se refere ao desmatamento e a destruição das áreas representadas.
O produto da aula que envolverá as três áreas, será a construção de um mural pelos alunos que venha composto de : 1)imagens fotográficas da flora existente entre a escola e suas casas; 2) coleta de materiais fragmentos desta flora 3) produção textual em forma de poemas sobre o tema abordado.
Imagem 01: Xilogravura, tamanho 21x18cm, 2010.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Breve relato
No ano de 1997 ingressei na UFRGS no curso de Artes
Plásticas, como era chamado o curso de Artes Visuais e depois de vários
momentos de dúvidas sobre que rumo tomar em 2005 abandonei o curso.
Em 2004, comecei a trabalhar na área da beleza/estética com
formação em cursos de capacitação de jovens e adultos, onde pude identificar em
mim o verdadeiro interesse pela área da educação. Todas as atividades
relacionadas a construção de conhecimento e meu próprio crescimento
profissional e pessoal me fizeram pensar sobre a certeza de querer ser
educador.
Em 2009, comecei a trabalhar no SENAC RS, onde tive uma
aproximação com os sistemas da educação formal, planos de cursos, planos de
aula e PPP – Plano Político Pedagógico da instituição. Onde o sistema é bem
organizado e remete muito mais a organização que será necessária dentro da
escola.
Em sequência no ano de 2011,
participei do PROJOVEM TRABALHADOR, onde minha experiência docente se
intensificou, claro que não especificamente na arte, mas ainda assim reforçando
meu interesse pela docência.
Em ordem não cronológica,
mas seguindo meu raciocínio, em 2010 voltei a prestar vestibular para
Licenciatura em Artes Visuais. Neste momento com outra vivência e outro olhar
sobre o mundo ingressei sabendo melhor o que queria e o que gostaria de realizar,
voltar as práticas artísticas e ao mesmo tempo me especializar para dar sequência
em meu trabalho a nível profissional.
Procurei organizar meu
currículo voltando meu olhar para as práticas artísticas e também não menos
importantes as disciplinas teóricas que dariam embasamento para construção de
um trabalho mais consolidado. Acredito que hoje tenho melhores condições de
observar os rumos que pretendo tomar, e a aproximação com as práticas de ensino
que serão de fundamental importância para o futuro em meu trabalho como
professora.
Ainda sinto muitas
deficiências em relação a tudo que iremos enfrentar, mas já bem melhor que
antes e acredito que o conhecimento não acontece num passe de mágica e sim numa
constante busca por ele.
Acredito que a experiência
docente propriamente dita é que me levou a ter certeza sobre o que eu gostaria
de fazer.
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